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Biografia de Santos Dumont – Vida, invenções e frases

Confira a biografia completa de Santos Dumont, tudo sobre sua vida, os pensamentos e frases do pai da aviação e inventor do avião. Santos Dumont desafiou os limites do próprio homem – poderia até ter suas limitações físicas para voar, mas sua imaginação, criatividade e espírito inventivo tinham asas, tão grandes que quase alcançavam o céu.

O primeiro a voar como os pássaros, o pai da aviação

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873, em uma cidade do interior de Minas Gerais chamada Palmira (hoje ‘Santos Dumont’), sexto de oito filhos do engenheiro Henrique Dumont e Francisca de Paula Santos. Com apenas um ano, sua família se mudou para uma fazenda no Rio de Janeiro, daonde sairiam em 1879, se mudando para a Fazenda Arindeúva, em Ribeirão Preto (que mais tarde se chamaria ‘Fazenda Dumont‘), a maior fazenda agrícola do país.

Foi ainda criança, especialmente após ler as obras fantásticas de Julio Verne, que Santos Dumont decidiu que um dia iria voar. Descobriu que a França era pioneira em assuntos relativos à aeronáutica, e para lá se mudou definitivamente em 1897, com apenas 24 anos e dono da enorme fortuna de seu pai. Teve aulas sobre como pilotar balões com aeronautas profissionais, e em 1900 já havia construído 9 balões. Juntamente com as aulas de balonismo, Santos Dumont começou suas experiências com dirigíveis; inflou o primeiro projetado por ele (inclusive inventando o motor do veículo), o N-1, no dia 18 de setembro de 1898 em Paris, mas o dirigível acabou rasgando antes de subir ao céu; foi reparado e erguido dois depois, em uma curta viagem que quase custou a vida de Santos Dumont, devido a um problema técnico.

O N-2, seu segundo dirigível, foi testado no dia 11 de maio de 1899. Houve uma forte chuva no dia, o que atrapalhou por completo seu vôo; alguns meses depois, Santos Dumont se dedicou à construção de seu terceiro balão, o N-3, que alçaria vôo – e contornaria a Torre Eiffel, aterrissando quilômetros depois em condições perfeitas – no dia 13 de novembro daquele ano, mesma data em que anunciaram como o fim do mundo.

Biografia de Santos Dumont
Biografia de Santos Dumont

Animado com sua invenção, Dumont construiu em Saint Cloud em 1900 um enorme aeródromo, usado para abrigar o N-3 e seu próximo balão, o N-4, terminado no dia 1º de agosto de 1900.Nessa época havia um prêmio concedido pelo magnata do petróleo, Henri Deutsch de la Meurthe,  de 100.000 francos para quem construísse uma aeronave capaz de ir e voltar da Torre Eiffel ao seu ponto de partida em no máximo 30 minutos, cumprindo 11km de trajeto (o desafio ficou conhecido como o ‘Prêmio Deutsch‘). Santos Dumont ganhou o desafio após chegar no N-6 (depois que o N-5 se chocou contra um prédio e explodiu), contornando a Torre Eiffel no dia 19 de outubro de 1901 – se tornando oficialmente o inventor do dirigível e o pai da aviação. Dumont distribuiu o prêmio entre os membros de sua equipe e desempregados parisienses.

Em pouco tempo, Santos Dumont tornou-se uma grande celebridade mundial, recebendo prêmios e homenagens no mundo todo – incluindo no Brasil, onde recebeu do presidente a mesma quantia que lhe foi dada no Prêmio Deutsch e uma medalha de ouro; em 1902, foi convidado pelos Estados Unidos a conhecer o laboratório de Thomas Edison e visitar a Casa Branca, onde conheceu o então presidente Theodore Roosevelt.

Santos Dumont voltou a construir seus dirigíveis, sempre aprimorando-os e projetando-os para as mais diversas situações, até outubro de 1904, quando foram lançados 3 prêmios de aviação: o Prêmio Archdeacon, o Prêmio do Aeroclube da França e o Prêmio Deutsch-Archdeacon. Ao redor do mundo, inventores criavam aeronaves cada vez mais eficientes. Dumont decidiu deixar os dirigíveis de lado e se dedicar a aeromodelos cada vez mais parecidos com os aviões de hoje.

Construiu em 1905 um aeromodelo de planador, considerado o primeiro aeroplano da História. No começo do ano seguinte, tentou construiu um helicóptero, mas desistiu devido às complicações das correias de transmissão; ainda em 1906, construiu o 14-Bis, um avião unido a um balão de hidrogênio. Com ele, o inventor se inscreveu nos prêmios Archdeacon e Aeroclube da França após alguns experimentos e decolagens, mas foi persuadido por colegas a desistir dos prêmios, apesar de participar das provas. O balão atrapalhava o vôo, e Santos Dumont rapidamente se desfez de suas partes mais pesadas; a imprensa deu ao aeroplano o nome de Oiseau de Proie (“Ave de rapina”).

No dia 23 de outubro de 1906, Dumont apresentou o Oiseau de Proie II, com melhorias em relação ao primeiro. O avião alçou vôo pelos próprios meios do aparelho, sem se valer de catapultas, ventos favoráveis ou rampas, percorrendo uma distância de 60 metros. Aquele foi o primeiro vôo de um avião. A multidão que acompanhava o momento celebrava, e tanto foi o fascínio que os juízes esqueceram de medir o vôo – porém foi comprovada a distância mínima de 25 metros exigida, o que rendeu a Santos Dumont o prêmio Archdeacon. Ainda em 1906, Dumont conquistou o prêmio do Aeroclube da França.

Muito se discute sobre o verdadeiro inventor do avião – Santos Dumont ou os irmão Wright, dos Estados Unidos. De fato, a dupla estadunidense já percorria os céus, mas usando catapultas para impulsionar sua subida – eles não controlavam o vôo, só planavam e controlavam a aterrissagem. Para todos os efeitos, Santos Dumont foi, sim, o primeiro a construir e controlar um aeroplano, sendo ele o real inventor dessa ‘máquina de voar’.

No final de 1909, Santos Dumont começou a dar sinais de esclerose múltipla; encerrou suas atividades em 1910 e se afastou do meio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelo Império Alemão, dando início à 1ª Guerra Mundial. Aeroplanos foram usados na guerra em combates violentos, personagens ilustres por sua destreza na pilotagem – e pelo derramamento de sangue – como o Barão Vermelho eram criados, o que levou Dumont à uma grave depressão (o inventor chegou a pedir à Liga das Nações para que fosse proibida a utilização de aviões em combates de guerra). No ano seguinte decidiu voltar para o Brasil, residindo em Petrópolis, no Rio de Janeiro, até 1922, quando visitou a França a pedido de amigos.

Retornou ao Brasil de navio em 1928. O Rio de Janeiro preparou uma grande festa para o aviador, mas o hidroavião – batizado com seu nome – que faria sua recepção, sofreu um acidente enquanto sobrevoava o navio em que Dumont se encontrava. O hidroavião, que levava grandes nomes da engenharia, não deixou sobreviventes. Dumont então suspendeu as comemorações e voltou para Paris. Lá, em 1930, recebeu o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França pelo Aeroclube francês. Em 1931 foi eleito para a cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, mas não tomou posse.

Voltou para o Brasil após um período de internações no sul da França. Passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, fixando-se em sua antiga fazenda em Guarujá, interior paulista. Em 1932 aconteceu a revolução constitucionalista, em que o governo paulista atacou Getúlio Vargas. Especula-se que Santos Dumont tenha presenciado ataques aéreos enquanto aviões sobrevoavam o Guarujá no dia 23 de julho, o que lhe causou uma imensa dor, levando-o, aos 59 anos de idade, ao suicídio. Seu corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua certidão de óbito foi escondida por mais de 20 anos, durante o regime ditatorial; para o governo, não era uma boa publicidade que um herói nacional tivesse se suicidado.

Seu coração foi secretamente removido pelo médico Walther Haberfield, que o preservou no formol por 12 anos, quando decidiu que era hora de devolver à família. A família recusou, e o médico doou o coração do pai da aviação ao governo brasileiro, que o colocou exposto – e lá se encontra até hoje – no museu da Força Aérea no Campo dos Afonsos, também no Rio de Janeiro. Postumamente, foi proclamado por decreto como patrono da Força Aérea Brasileira (FAB) e recebeu o título de marechal-do-ar.

Invenções de Santos Dumont

  • Balão a gás de pequeno porte
  • Dirigível
  • Relógio de pulso
  • Hangar
  • Avião
  • Precursor do ultraleve
  • Chuveiro de água quente

Frases de Santos Dumont

As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso.
O inventor, como a natureza de Linneu, não faz saltos; progride de manso, evolui.
Sempre acreditei que o inventor deve trabalhar em silêncio; as opiniões estranhas nunca produzem nada de bom.
Inventar é imaginar o que ninguém pensou; é acreditar no que ninguém jurou; é arriscar o que ninguém ousou; é realizar o que ninguém tentou. Inventar é transcender.

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