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Biografia de Nicolau Maquiavel – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Nicolau Maquiavel tudo sobre sua vida, a lista completa de suas principais obras, pensamentos e frases. Nicolau Maquiavel é considerado por muitos como um dos pais da ciência política. Seus tratados acerca da construção e legitimidade do Estado, escritos no século XVI, servem até hoje como base de vários princípios políticos essenciais no bom funcionamento de um governo.

Nicolau Maquiavel ingressou na vida política em um momento conturbado e de grande instabilidade em Florença durante o Renascimento. A península itálica era palco de grandes disputas internas e era de grande interesse de outras potências europeias, sobretudo Espanha e França, que só não invadiam pela influência que Lourenço de Médici – diplomata e soberano da República Florentina – exercia. Com sua morte em 1492, a Itália foi invadida por Carlos VIII e a família Médici foi expulsa de Florença.

Com os ideais do Renascimento atingindo seu auge, Florença se dividia em duas correntes ideológicas: a da exaltação pagã do indivíduo, representada principalmente pelos Médici; e da contemplação cristã do mundo,  representada por religiosos como o pregador Girolamo Savonarola. Savonarola se tornou a figura política mais importante da cidade, tendo grande apoio popular, e deu ao governo de Florença um viés teocrático-democrático. Com sua autoridade, criticava os padres de Roma e o Papa Alexandre VI, que o excomungou em 12 de maio de 1497. O frade declarou inválida a excomunhão, mas foi preso e executado pelo governo provisório no dia 23 de maio de 1498. Cinco dias depois da morte de Savonarola, Nicolau Maquiavel, com 29 anos, foi nomeado secretário da Segunda Chancelaria de Florença, responsável pela política interna e assuntos de guerra.Maquiavel se mostrou um notável negociador em assuntos administrativos e diplomáticos e, em 1499, escreveu seu primeiro escrito político, o Discorsofatto al Magistrato dei Dieci sopra le cose di Pisa.

Em 1501, casou-se com Marietta Corsini, com quem teve quatro filhos e duas filhas, sendo que uma faleceu pouco depois que nasceu. No mesmo ano, César Bórgia, condottiero da Igreja e filho do Papa, conquistava diversos territórios da península italiana e ameaçava invadir Florença, exigindo que a cidade se aliasse a ele e que fosse instaurado um governo favorável às suas ambições. O rei Luis XII de França enviou tropas para ajudar na proteção de Florença e o exército de Bórgia recuou.

Em 24 de junho de 1502, Bórgia requisitou o envio de representantes do governo de Florença para discutir seus interesses; foi enviado Francisco Soderini, e Maquiavel foi como seu secretário. Desse período, Nicolau Maquiavel escreveu “Sobre o modo de tratar os povos rebelados da Valdichiana“.

Nicolau Maquiavel - Biografia
Nicolau Maquiavel – Biografia

Em 1510, um ataque à Florença, apoiado pelo então Papa Júlio II, recolocou os Médici no poder, e Nicolau Maquiavel foi demitido sob a acusação de apoiar uma política anti-Médici. Mais do que isso, foi multado, torturado e preso três anos depois, ficando em cárcere por 22 dias – até que foi solto, depois do falecimento do Papa Júlio II em 21 de fevereiro de 1513 e a eleição de João de Médici, um florentino, que decretou a anistia de todos os que foram presos sob tal acusação.

Livre e desempregado (como ficou até sua morte, salvo alguns trabalhos temporários, como a escritura da História de Florença pedida pelo Papa Júlio II –  agora Clementino VII – que governou Florença após a morte de Lourenço II em 1520), Maquiavel escreveu algumas de suas obras mais célebres: “O Príncipe”, “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, “A Mandrágora“, além de outras dezenas de obras, entre romances, tratados políticos, poemas e cartas compiladas por seus filhos anos depois.

O Príncipe“, obra mais conhecida do pensador, foi escrita em 1513 mas só foi publicada após sua morte, em 1532. Nela, Maquiavel analisa as bases de um principado, seus diferentes tipos, como surgem, como se mantém e como caem, defendendo um governo com exército próprio ao invés do uso de mercenários (condottieris), comuns na época. Ele defende um Estado unificado e  centralizado na figura do príncipe – sem, entretanto, defender o absolutismo –, o que rendeu duras críticas de intelectuais por toda a Europa. A expressão “os fins justificam os meios“ foi criada a partir desse livro, mas não é encontrada nele nem pode ser atribuída à Maquiavel. Ele acaba seu livro exaltando o príncipe que conquistará e finalmente libertará toda a Itália. “O Príncipe“ foi uma das primeiras teorias criadas para se discutir o Estado moderno, e o pensador é considerado o pai da moderna teoria política.

Como os pensadores do Renascimento, Maquiavel se baseava na História e no empirismo para formular suas teorias, tentando dar à seus escritos um caráter prático, realista e, consequentemente, antiutópico. Para ele a História é cíclica e os homens estão sempre tentados a cometerem os mesmos erros, já que a natureza humana (essencialmente má em sua visão) permanece imutável; dessa forma, torna-se inútil considerar um Estado utópico, sendo preferível pensar em maneiras reais de se formar um Estado. Em sua concepção, um ato não pode ser considerado bom ou ruim fora de uma perspectiva histórica e que o governante deve se manter firme em suas decisões, sobretudo as relacionadas à guerras (daí a expressão “é melhor ser temido do que amado“), já que este não pode esperar que os homens ajam corretamente.

Nicolau Maquiavel também explorou os conceitos de virtú e fortuna em suas obras. A virtú seria as habilidade necessárias ao governante para se manter estável no poder, enquanto a fortuna seria o acaso, a sorte, os eventos que não podem ser premeditados e que podem vir tanto para melhorar quanto piorar uma situação. Para ele, a virtú que deveria ser posta em prática pelo governante nada poderia ter a ver com a virtude cristã ou com a moral social, incompatíveis com as políticas que deveriam ser adotadas para manter um bom governo; o governante também não pode deixar tudo nas mãos da fortuna, visto que ela pode mudar a qualquer hora e para qualquer lado – o bom governante deve se ajustar aos tempos, recebendo de bom grado a boa fortuna, mas não    esperando-a.

Nicolau Maquiavel morreu no dia 21 de junho de 1527, depois de sofrer fortes dores intestinais. Seu legado foi fundamental para a criação de Repúblicas e para a formação dos Estados tal como vemos hoje. A expressão “maquiavélico“, com conotação negativa, diz respeito àquele que é frio e calculista – mas não deveria ser relacionada com maldade; considerado por uns como um nacionalista fervoroso, Nicolau Maquiavel buscava a unificação da Itália, mas não de uma maneira imoral ou ilegítima – ao contrário, acreditava que a legitimidade do príncipe, para além de uma “vontade divina“  – um princípio tão comum na época e que começava a declinar –, seria a base para um Estado sólido e bem regido.

Livros e Obras de Nicolau Maquiavel

  • O Príncipe
  • A Arte da Guerra
  • Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio
  • Asino d’oro
  • A Mandrágora
  • Novella di Belfagor
  • Dialogo intorno alla nostra língua
  • Andria
  • Discorso sopra il riformare lo stato di Firenze
  • Sommario delle cose della citta di Lucca
  • Discorso delle cose florentine dopo la morte di Lorenzo
  • Clizia, comédia em prosa
  • Frammenti storici
  • Sonetti
  • Canzoni
  • Ottave
  • Canti carnascialeschi.
  • Vita di Castruccio Castracani da Lucca

Pensamentos e Frases de Nicolau Maquiavel

Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela. (Frases e Pensamentos de Nicolau Maquiavel)

Em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã. (Frases de Nicolau Maquiavel)

A primeira impressão que se tem de um governante e da sua inteligência é dada pelos homens que o cercam. (Frases de Nicolau Maquiavel)

Onde há uma vontade forte, não pode haver grandes dificuldades. (Frases de Nicolau Maquiavel)

Eu creio que um dos princípios essenciais da sabedoria é o de se abster das ameaças verbais ou insultos.

Os fins justificam os meios. (Frases de Nicolau Maquiavel)

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