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Biografia de Michelangelo – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Michelangelo, tudo sobre sua vida e obra e a lista completa de suas principais pinturas, esculturas, pensamentos e frases.

Ainda vivo, Michelangelo já era considerado um mito, uma lenda. O fascínio que provocou ao esculpir, ainda precoce, formas e movimentos humanos, ecoa até hoje; pessoas comuns, governantes e líderes religiosos se renderam à riqueza dos detalhes e ao poder que suas obras evocam – não só na escultura, mas também na poesia, na pintura e na arquitetura.

 Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasceu em Caprese, região toscana da Itália no dia 6 de março de 1475, segundo de 6 filhos de Lodovico di Lionardo Buonarroti Simoni, prefeito na província de Caprese, e Francesca di Neri Buonarroti, que morreu quando Michelangelo tinha apenas 6 anos de idade.

Após a morte de sua mãe, o menino foi entregue a uma ama de leite, cujos membros da família trabalhavam como cortadores de mármore em Settignano. Ali, Michelangelo cresceu ao lado do mármore, estudando técnicas e nascendo no jovem a paixão pelas artes e pela escultura.Voltou para a casa paterna aos 3 anos de idade, e, logo após a morte de sua mãe, a família se mudou para Florença.

Seu pai Lodovico desaprovava a escolha do filho em se tornar artista – ele e os irmãos de Michelangelo o espancaram diversas vezes, sob a acusação de que a carreira artística não era digna da nobreza; entretanto, Michelangelo não perdeu seu interesse, se tornando amigo de Francesco Granacci, discípulo de Domenico Ghirlandaio, e o incentivou a seguir carreira como artista. Foi admitido na oficina do pintor, assinando no dia 1º de abril de 1489 um contrato de 3 anos, onde Michelangelo ganharia 24 florins de ouro.

Michelangelo
Michelangelo

Com Ghirlandaio, Michelangelo aprendeu as técnicas de pintura e desenho, mas discordava de seu mestre, acreditando que a pintura era uma forma de arte limitada e pouco impactante. Ficou na oficina por não mais que um ano, saindo em 1489 – com apenas 15 anos de idade – e indo para o Jardim de São Marcos, a escola patrocinada por Lorenzo de Médici, grande patrono de arte de Florença e homem mais rico de Florença, além dele próprio ser um intelectual e poeta. Lá, conviveu com outros escultores, pintores, poetas e filósofos, e se dedicou ao estudo dos escultores clássicos romanos e gregos.

Médici e Michelangelo tiveram uma boa amizade; os dois faziam as refeições juntos e o escultor recebia cinco ducados por semana. Além disso, o ambiente intelectual do Jardim reforçou a pouca educação que teve, fazendo parte do mesmo círculo que AngeloPoliziano, Pico dellaMirandola e MarsilioFicino. Lorenzo de Médici mostrou à Michelangelo o Jardim de Esculturas, onde se encontravam esculturas da Antiguidade, essenciais para o estudo dos movimentos e desenvolvimento de um estilo pessoal de Michelangelo.

A primeira obra de Michelangelo foi uma cabeça de fauno – tão bem acabada que Lorenzo se rendeu ao talento do jovem. O escultor fez obras para o Hospital do Santo Espírito, e em troca foi autorizado a dissecar cadáveres para estudar a anatomia humana, da qual se tornou mestre.

No dia 8 de abril de 1492, Lorenzo de Médici faleceu, deixando seu filho Piero de Médici no poder. A morte do patrono foi um grande baque para Michelangelo, que se mudou em profunda tristeza para a casa de seu pai. Pouco depois uma grande nevasca caiu sobre Florença, e Piero pediu para que o artista retornasse ao palácio para fazer esculturas em neve e lá morar de novo, fazendo com que as coisas voltassem a ser como era. Michelangelo voltou para o palácio, mas ficou pouco tempo – Piero se mostrou inapto para governar, se tornando um tirano e causando um enorme descontentamento popular. Michelangelo percebeu o clima política desfavorável e fugiu para Bolonha, poucas semanas antes de Carlos VIII da França invadir Florença e expulsar a família Médici da cidade.

Em Bolonha, Michelangelo encontrou um novo patrono, Gianfrancesco Aldovrandi, com quem morou por um ano. Lá, produziu algumas obras para a tumba inacabada de São Domingos e conheceu obras classicistas de JacopodellaQuercia, mas não ficou muito tempo – em 1496 viajou para Roma, onde passou um ano morando com seu amigo Riario. Esculpiu um Baco com traços clássicos e um Cupido em pé a pedido do banqueiro JacopoGalli; através do banqueiro, Michelangelo conheceu o Cardeal Jean de laGrolaye de Villiers, embaixador da França em Roma, que encomendou ‘Pietà‘, uma de suas mais célebres obras-primas, que o consagrou como artista e o levou ao sucesso.

Tal sucesso fez com que Michelangelo recebesse mais encomendas a preços mais elevados. Começou a esculpir 15 estatuetas de santos para o Cardeal Francesco Piccolomini, mas parou na quarta para realizar uma encomenda feita pela Catedral de Florença – um David esculpido em um bloco de mármore de mais de 5 metros de altura e há 40 anos abandonado. A obra foi concluída em 1504 e, de tão primorosa e brilhante, foi colocada em frente ao Palácio dos Priores, a sede administrativa da República. Mais encomendas vieram depois disso mas, por recusar a ajuda de ajudantes diretos, muitas ficaram inacabadas, como por exemplo o afresco para a Sala do Conselho de Florença – Leonardo da Vinci fazia a parede oposta da sala, mas não terminou; o projeto de Michelangelo sequer chegou à sala.

Apesar dos projetos não concluídos, Michelangelo conquistou a atenção do Papa Júlio II; o Papa planejou uma enorme tumba para si, com 40 estátuas a serem esculpidas por Michelangelo. O artista passou 8 meses escolhendo os melhores blocos de mármore, mas, ao voltar para Roma, descobriu que não havia fundos para o trabalho, uma vez que o papa estava reconstruindo a Basílica de São Pedro. Voltou então para Florença, mas logo foi exigido seu retorno, dessa vez para criar uma estátua do papa em bronze para instalar em Bolonha, cidade recém conquistada por Júlio II. Terminada a estátua, foi incumbido – muito a contragosto – da tarefa de pintar o enorme teto da Capela Sistina, o que fez entre 1508 e 1511; a obra, uma das mais conhecidas do artista, foi a prova de que mesmo preferindo a pintura, Michelangelo possuía uma habilidade extraordinária para pintar.

O Papa Júlio II morreu em 1513, e sua tumba ficou incompleta. Seu sucessor era um antigo amigo de Michelangelo, Giovanni de Médici, segundo filho de Lorenzo, sagrado como Leão X; além disso, o governante de Florença era também um Médici, que mais tarde se tornaria o Papa Clemente VII. Os Médici empregaram Michelangelo em Florença, como escultor e arquiteto, e encomendaram tumbas para a família; mas, em 1527, Roma foi saqueada e Leão X fugiu, provocando nova revolta em Florença, que mais uma vez expulsou a família de Florença. A partir daí, Michelangelo viveu alguns anos difíceis, com a morte do pai em 1521, seguida da morte de seu irmão favorito.

Os Médici voltaram ao poder em 1530, e Michelangelo voltou ao seu trabalho com as tumbas – que por pouco não foram acabadas, mas ainda constituem importantes obras no acervo do artista. Deixou Florença em 1534, indo morar em Roma a pedido do Papa Paulo III. Em Roma, Michelangelo se dedicou mais à poesia e à pintura do que às suas esculturas. O Papa pediu para que pintasse a passagem do Juízo Final na Capela Sistina, outra de suas obras-primas, refletindo bem o impacto da Contra-Reforma – menos detalhes nos corpos e movimentos e mais intensidade dramática.

A saúde de Michelangelo começou a declinar a partir de 1563, com quase 90 anos de idade. Os rumores de que estava doente rapidamente se espalharam após uma espécie de ataque ocorrido no dia 14 de fevereiro de 1564. Pressentindo a morte, mandou que buscassem seu sobrinho Lionardo, mas morreu antes que pudesse vê-lo, no dia 18 de fevereiro daquele ano. Foi enterrado na Basílica dos Doze Santos Apóstolos em Roma, mas Lionardo roubou o corpo e o levou para Florença escondido; quando as pessoas da cidade descobriram do que se tratava, formou-se um grande cortejo que o acompanhou até a Basílica da Santa Cruz.

Muito se criou sobre Michelangelo; sua figura tornou-se um mito, e diversos biógrafos e historiadores criaram e exageraram fatos sobre o artista ao longo dos séculos. O que se sabe com certeza diz respeito ao seu inegável talento, sua habilidade para enxergar formas e expressões em blocos de mármore e sua contribuição fundamental no mundo da arte, sendo um dos principais artistas do Renascimento.

Frases de Michelangelo

O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu. – (Frases de Michelangelo)

Que seja doce a dúvida a quem a verdade pode fazer mal. – (Frases de Michelangelo)

O Sol é a sombra de DEUS. – (Frases de Michelangelo)

Principais Obras de Michelangelo

Consideramos abaixo as principais obras de Michelangelo.

  • Afrescos do teto da Capela Sistina
  • A criação de Adão
  • Julgamento Final
  • Martírio de São Pedro
  • Conversão de São Paulo
  • Cúpula da Basílica de São Pedro
  • Esculturas: Davi, Leda, Moisés e Pietá
  • Retratos da família Médici

Pinturas de Michelangelo

Cúpula da Basílica de São Pedro por Michelangelo
Cúpula da Basílica de São Pedro por Michelangelo
Conversão de São Paulo por Michelangelo
Conversão de São Paulo por Michelangelo
Martírio de São Pedro por Michelangelo
Martírio de São Pedro por Michelangelo
Julgamento Final por Michelangelo
Julgamento Final por Michelangelo
A criação de Adão por Michelangelo
A criação de Adão por Michelangelo
Capela Sistina por Michelangelo
Capela Sistina por Michelangelo

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