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Biografia de Manuel Bandeira – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Manuel Bandeira, tudo sobre sua vida, a lista completa de suas principais obras, pensamentos e frases. Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1886, no Recife, filho do engenheiro civil Manuel Carneiro de Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Sua família era formada por advogados, professores de direito, deputados, e seu tio foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Em 1890, se mudou com sua família para o Rio de Janeiro, estudando no Colégio Pedro II. Em 1903, foram para São Paulo, e Manuel entrou para a Escola Politécnica afim de se tornar arquiteto; porém, no ano seguinte, descobriu ser tuberculoso, o que fez com que ele voltasse para o Rio de Janeiro e passasse temporadas nas regiões serranas do estado, em uma tentativa de melhorar sua saúde. A descoberta da doença fez com que escrevesse poemas melancólicos, com certa dose de angústia pela perspectiva de morrer a qualquer momento, publicados em seu primeiro livro alguns anos mais tarde.

Sua tuberculose não pareceu melhorar, então foi para a Suíça, onde ficou no Sanatório de Clavadel, de junho de 1913 a outubro de 1914, tendo como colega de quarto o poeta Paul Eluard. Manuel Bandeira voltou para o Brasil em decorrência da Primeira Guerra Mundial. Em 1916 sua mãe faleceu, e em 1917 lançou seu primeiro livro, “A Cinza das Horas“ – com fortes raízes tradicionais de sua cultura –, com uma tiragem de apenas 200 exemplares, custeados por ele mesmo. Em 1918 perderia sua irmã, Maria Cândida de Souza Bandeira, e seu pai em 1920.

Em 1919, Manuel Bandeira lançou seu segundo livro, “Carnaval“, inspirado nas rimas toantes dos poemas de Charles de Guérin. O livro, evidenciando uma liberdade rítmica e métrica, foi muito bem recebido pela crítica, sobretudo pelos paulistas iniciadores do modernismo. Em 1921, em uma reunião na casa de amigos, conheceu Mário de Andrade (com quem passou a trocar correspondências regulares e que o chamou, alguns anos depois, de “São João Batista do Modernismo”), Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda e Osvaldo Orico.

Manuel Bandeira
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira não participou fisicamente da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; entretanto, seu poema “Os Sapos“(uma clara crítica ao Parnasianismo) foi lido por Ronald de Carvalho nas escadas do Teatro.  Em 1924, publicou “Poesias“, reunindo seus dois primeiros livros com um terceiro, “O Ritmo Dissoluto”. Em 1926 viajou para Minas Gerais, onde conheceu Carlos Drummond de Andrade, com quem trocaria cartas até o fim de sua vida. Viajou por todo o Brasil: Salvador, Recife, Paraíba (atual João Pessoa), Fortaleza, São Luís, Belém, Belo Horizonte e São Paulo, colaborando com diversas publicações para jornais e revistas, como o ‘Diário Nacional’ (São Paulo) e ‘A Província’ (Recife).

Em 1930 é lançado “Libertinagem“; em 1935, é nomeado pelo Ministro Gustavo Capanema, inspetor de ensino secundário. Dois anos depois, em 1937, recebeu seu primeiro prêmio, da Sociedade Filipe de Oliveira, por conjunto de obra, e publica “Poesias Escolhidas e Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica”. Em 1938 se tornou professor de literatura do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e membro do Conselho Consultivo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1942, foi nomeado professor de Literaturas Hispano-Americanas na Faculdade Nacional de Filosofia, sendo aposentado por lei especial do Congresso em 1956.

Durante sua vida, Manuel Bandeira redigiu críticas de artes plásticas,  críticas literárias e musical para vários jornais e revistas. Tinha um gosto particular pela arquitetura histórica do Brasil, como as igrejas barrocas e coloniais da Bahia e de Minas Gerais e os conventos e velhos casarões do Rio de Janeiro; na literatura, era um humanista, realizando diversos estudos sobre a poesia brasileira, suas formas e técnicas.

Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, tomando posse no dia 30 de novembro; publicou “Poesias Completas “, “Noções de História das Literaturas “ e “A Autoria das Cartas Chilenas “. Ao longo de sua vida ainda publicaria diversos livros de poemas, ensaios e estudos – a maioria custeado por ele próprio.

Em 1951, após se candidatar a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro a pedido de amigos (sem ganhar), foi operado por cálculos no ureter. Em 1960, foi publicado na França “Poèmes“, antologia de poemas do autor.

A saúde de Manuel Bandeira começou a se deteriorar a partir de seus 80 anos, em 1966. Dois anos depois, no dia 13 de outubro de 1968, Manuel Bandeira faleceu, aos 82 anos, por hemorragia gástrica. Seu corpo foi sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

O estilo de Manuel Bandeira era leve, abordando temas do cotidiano de uma maneira lírica e muitas vezes usando o formato do “poema-piada“, considerado vulgar pela tradição acadêmica. Muitos de seus poemas são considerados como manifestos do movimento modernista, apesar dessa não ter sido a intenção do poeta. Manuel Bandeira era um homem que vivia em contraste emocional – de um lado, a alegria de viver; do outro, a iminência da morte –, e esse contraste foi expresso em dezenas de poemas. Além disso, eram comuns em seus textos o erotismo, o desejo tão reprimido e tão desejado, assim como o anseio por uma vida mais simples, como a que levava na infância, onde brincava na rua sem se preocupar com as dores do futuro.

Livros e Obras de Manuel Bandeira

Poesias e Poemas de Manuel Bandeira

  • A Cinza das Horas, 1917 (contém o poema “Cartas de Meu Avô)
  • Carnaval, 1919
  • O Ritmo Dissoluto, 1924
  • Libertinagem, 1930 (contém os poemas “Evocação do Recife” e “Vou-me embora pra Pasárgada”)
  • Estrela da Manhã, 1936
  • Lira dos Cinquent’anos, 1940
  • Belo, Belo, 1948
  • Mafuá do Malungo, 1948
  • Opus 10, 1952
  • Estrela da tarde, 1960
  • Estrela da Vida Inteira, 1966

Livros e Obras em Prosa de Manuel Bandeira

  • Crônica da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936
  • Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
  • Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940
  • Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940
  • Apresentação da Poesia Brasileira -Rio de Janeiro, 1946; 2ªed. Cosac Naify – São Paulo 2009
  • Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949
  • Gonçalves Dias: biografia – Rio de Janeiro, 1952
  • Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
  • De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954
  • A Flauta de Papel – Rio de Janeiro, 1957
  • Itinerário de Pasárgada – Livraria São José – Rio de Janeiro, 1957
  • Andorinha, Andorinha – José Olympio – Rio de Janeiro, 1966
  • Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966
  • Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record – Rio de Janeiro, 1968
  • Seleta de Prosa – Nova Fronteira – Rio de Janeiro
  • Berimbau e Outros Poemas – Nova Fronteira – Rio de Janeiro Crônicas da Província do Brasil – Ed. Cosac Naify – 2009
  • Crônicas inéditas I – Ed. Cosac Naify – SP- 2009
  • Crônicas inéditas II – Ed Cosac Naify – SP- 2009

Antologias de Manuel Bandeira

  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica – Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana – Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Vol. 1, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Vol. 2, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros – Poesia Simbolista, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia Poética – Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961
  • Poesia do Brasil – Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
  • Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas – Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1966
  • Manuel Bandeira – Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar, Rio de Janeiro
  • Antologia Poética (nova edição), Editora Nova Fronteira, 2001
  • Antologia Poética, Editora Global, 2013

Livros e Obras de Manuel Bandeira em coautoria

  • Quadrante 1 – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1962 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)
  • Quadrante 2 – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1963 (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)
  • Quatro Vozes – Editora Record – Rio de Janeiro, 1998 (com Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e Cecília Meireles)
  • Elenco de Cronistas Modernos – Ed. José Olympio – Rio de Janeiro (com Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga)
  • O Melhor da Poesia Brasileira 1 – Ed. José Olympio – Rio de Janeiro (com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto)

Traduções realizadas por Manuel Bandeira

  • O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz, 1949
  • Maria Stuart, de Friedrich Schiller, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo, 1955
  • Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, 1956.
  • As peças June and the Paycock, de Sean O’Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash, 1957
  • The Matchmaker (A Casamenteira), de Thornton Wilder, 1958
  • Don Juan Tenorio, de José Zorrilla, 1960
  • Mireille, de Frédéric Mistral, 1961
  • Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler, 1962
  • Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht, 1963
  • O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena ela Ser o que é, de John Ford, 1964
  • Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala; A Fogueira Feliz, de J. N. Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho, 1965
  • Macbeth, de Shakespeare. Ed. Cosac Naify, São Paulo-2009

Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples. (Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira)

Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma. (Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira)

Não aprofundes o teu tédio, não te entregues à mágoa vã. (Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira)

Amizade é como flores, não podemos deixar de regá-las, mas também não podemos regá-las muito. (Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira)

É tocante e vive, e me fez agora refletir que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu. (Pensamentos e Frases de Manuel Bandeira)

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