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Biografia de Machado de Assis – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Machado de Assis, tudo sobre sua vida e obra e a lista completa de seus principais livros, pensamentos e frases. Machado de Assis nasceu em uma família humilde, sua educação foi quase nula e sofria preconceitos por ser mulato, em uma sociedade recentemente livre da escravidão. Apesar das adversidades, conseguiu se tornar o maior e mais consagrado escritor da literatura brasileira, e o crítico americano Harold Bloom o considerou como o maior escritor negro de todos os tempos, tendo sua obra posta ao lado de Camões, Dante e Shakespeare.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro (capital do Império do Brasil na época), em 21 de junho de 1839,filho do pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e Maria Leopoldina da Câmara Machado. Maria Leopoldina morreu quando Machado tinha apenas 10 anos, e este mudou-se com seu pai para São Cristovão; em pouco tempo, seu pai se casou com Maria Inês da Silva, que cuidaria de Machado depois que Francisco morresse, alguns anos mais tarde. Desde muito cedo já era notável o interesse de Machado de Assis pela literatura.

No dia 3 de outubro de 1854, aos 15 anos, publicou seu primeiro soneto, dedicando-o à “Ilustríssima Senhora D.P.J.A”,no Periódico dos Pobres. No ano seguinte, conheceu Francisco de Paula Brito, jornalista e dono de uma livraria, que publicaria os poemas “Ela” e “A Palmeira” na Marmota Fluminense, sua revista bimensal. Com apenas 17 anos, Machado de Assis foi contratado como aprendiz de tipógrafo e revisor de imprensa na Imprensa Nacional, onde trabalhou de 1856 a 1858; depois, passou a colaborar no Correio Mercantil com crônicas e revisando textos.

Machado de Assis foi um homem muito ligado ao meio artístico. Em novembro de 1859, estreou “Pipelet”, uma ópera baseada em “The Mysteriesof Paris de Eugène”, com libreto de sua autoria. “Pipelet“ não agradou o público nem a crítica, mas Machado continuaria se mostrando interessado na área, sobretudo na construção da Ópera Nacional. Aos 21, já era considerado personalidade entre as rodas intelectuais do Rio de Janeiro e, em 1860, foi convidado para trabalhar como repórter e jornalista do Diário do Rio de Janeiro, ofício que exerceu até 1867, quando foi nomeado diretor-assistente do Diário Oficial por D. Pedro II. Machado chegou a se candidatar a deputado pelo Partido Liberal do Império nesse período, mas retirou a candidatura para se dedicar exclusivamente à literatura. No ano seguinte, D. Pedro II lhe condecorou como oficial da Ordem Da Rosa.

Em 1861, foi publicado seu primeiro livro, “Queda que as mulheres têm para os tolos “, onde trabalhou como tradutor, impresso na tipografia de Paula Brito. No ano seguinte, se tornou crítico de teatro – não ganhava nenhum dinheiro pelo trabalho, mas tinha acesso livre aos teatros; Machado se interessava não só pelas peças, mas também na movimentação dos bastidores. Seu primeiro livro de poesias, “Crisálidas“, foi publicado em 1864

Ainda em 1868, conheceu Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã de seu amigo poeta Faustino Xavier de Novaes, e se apaixonara na mesma hora (assim como a maioria dos homens que a conheceram). A família de Carolina não aprovou que ela se relacionasse com um mulato, mas os dois continuaram se encontrando, até que se casaram no dia 12 de novembro de 1869. Carolina era uma mulher muito culta, e muito se diz que ela tenha influenciado na escrita de Machado, fazendo com que este passasse de uma narrativa convencional para o  realismo, gênero que consagrou o escritor. Carolina e Machado ficaram juntos até a morte, sendo considerados um “casal perfeito“.

Seu primeiro romance foi publicado em 1872, com o título de “Ressurreição“. Foi nomeado para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas no mesmo ano; este foi o início de uma carreira burocrática que o sustentou por toda a vida. Machado colaborou em diversos jornais e revistas, como “O Globo“, “O Cruzeiro“ e  na “Gazeta de Notícias“ – nesta última, onde colaborou de 1881 a 1897, o autor escreveu suas melhores crônicas. Em 1880 escreveu um de seus maiores sucessos, considerado o marco do realismo na literatura brasileira, junto com “O Mulato“, de Aluísio de Azevedo: “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, dividido em folhetins na “Revista Brasileira“ e publicados de 15 de março a 15 de dezembro.

Em 1897, se espelhando na Academia Francesa, o grupo de intelectuais da Revista Brasileira fundou a Academia Brasileira de Letras; por unanimidade, Machado de Assis foi eleito seu primeiro presidente, no dia 28 de janeiro. Foi um presidente sempre presente e devoto, tendo apenas 2 faltas em 96 sessões realizadas durante sua vida. Fundou a cadeira nº 23, escolhendo seu grande amigo José de Alencar para ser seu patrono. A importância de Machado de Assis para a Academia é tão grande que ela passou a ser chamada de “Casa de Machado de Assis”

No dia 18 de novembro de 1902, Machado se tornou diretor-geral de Contabilidade na na Secretaria da Indústria do Ministério da Viação. Dois anos depois, no dia 20 de outubro de 1904, Carolina faleceu aos 70 anos de idade. A morte de sua esposa afetou Machado profundamente, que entrou em séria depressão. Seu último soneto, “Carolina“ foi dedicado a ela, e é considerado por muitos como um dos mais tocantes da nossa literatura. Entre a morte de Carolina e a sua própria, em 1908, Machado de Assis teve suas últimas obras publicadas – “Esaú e Jacó”, “Memorial de Aires”, e “Relíquias da Casa Velha”.

Machado de Assis
Machado de Assis

Machado tentou continuar lendo, estudando e trabalhando depois da morte da esposa. No dia 1º de julho de 1908, entretanto, pediu licença de saúde do Ministério da Aviação. No dia 29 de setembro, rodeado por amigos como Mário de Alencar, Euclides da Cunha, José Veríssimo, entre outros, faleceu em sua casa no Cosme Velho, aos 69 anos, vítima de uma arteriosclerose generalizada. O discurso fúnebre, em nome da Academia, foi dado por Rui Barbosa, e uma multidão acompanhou o velório até o Cemitério São João Batista, onde foi enterrado ao lado de sua esposa. Em abril de 1999, os restos do casal foram transferidos para o Mausoléu da Academia, onde estão também enterrados Darcy Ribeiro e Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

A carreira literária de Machado de Assis pode ser dividida em duas fases: a romântica, onde estão “Ressureição“, “Helena“ e “A Mão e a Luva“, entre outros, e a fase realista, que consagrou o autor, com obras como “Quicas Borba“, “Dom Casmurro“ e “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, entre outros. Essa segunda fase mostra um amadurecimento do escritor, que rompe com os estilos passados e nos apresenta uma realidade ironizada, satirizada por Machado.

Pessimista em relação à natureza humana, sempre expôs suas reflexões e críticas à sociedade de uma maneira quase amigável ao leitor, dialogando com este – muitas vezes interrompendo a narrativa para colocar suas opiniões ou até mesmo para comentar sobre qualquer assunto que lhe parecesse natural ser colocado. Machado de Assis também inovou ao escrever romances que não possuem necessariamente uma ordem contínua dos acontecimentos – cada capítulo pode se referir a qualquer parte da história, que ele monta da maneira que lhe convém, quebrando com o fio condutor clássico das narrativas.

Principais livros e obras de Machado de Assis

Romances de Machado de Assis

Poesia de Machado de Assis

  • Crisálidas (1864)
  • Falenas (1870)
  • Americanas (1875)
  • Gazeta de Holanda (1886-88)
  • Ocidentais (1901)
  • O Almada (1908)
  • Dispersas (1854-1939)

Crônicas de Machado de Assis

  • Comentários da semana (1861-1863)
  • Crônicas do Dr. Semana (1861-1864)
  • Crônicas – O futuro (1862-1863)
  • Ao acaso (1864-1865)
  • Cartas fluminenses (1867)
  • Badaladas (1871-1873)
  • História de quinze dias (1876-1877)
  • História dos trinta dias (1878)
  • Notas semanais (1878)
  • Balas de estalo (1883-1886)
  • Bons dias! (1888-1889)
  • A semana (1892-1800)
    Dispersas (em ordem cronológica)
  • O jornal e o livro (1859)
  • A reforma pelo jornal (1859)
  • Aquarelas (1859)
  • O Visconde de Castilho (1875)
  • Cherchez la femme (1881)
  • José de Alencar (1883)
  • Joaquim Serra (1888)
  • O futuro dos argentinos (1888)
  • Entre 1892 e 1894 (1892-1894)
  • Henrique Chaves (1893)
  • Henrique Lombaerts (1897)
  • O velho Senado (1898)

Miscelânea

  • Os imortais (1859)
  • Queda que as mulheres têm para os tolos (1861)
  • Carta ao Sr. Bispo do RJ (1862)
  • Carta à redação da Imprensa Acadêmica (1864)
  • Pedro Luís (1884)
  • A morte de Francisco Otaviano (1889)
  • Secretaria de Agricultura (1890)
  • A Paixão de Jesus (1904)
  • Gonçalves Dias (1906)
  • A Estátua de José de Alencar (1906)

Contos de Machado de Assis

  • Contos Fluminenses (1870) – (Miss Dollar, Luís Soares, A mulher de preto, O segredo de Augusta, Confissões de uma viúva moça, Linha reta e linha curva, Frei Sim)
  • Histórias da meia-noite (1873) – (A parasita azul, As bodas de Luís Duarte, Ernesto de Tal, Aurora sem dia, O relógio de ouro, Ponto de vista)
  • Papéis avulsos (1882) – (O alienista, Teoria do medalhão, A chinela turca, Na arca, D. Benedita, O segredo do bonzo, O anel de Polícrates, O empréstimo, A sereníssima república, O espelho, Uma visita de Alcibíades, Verba testamentária)
  • Histórias sem data(1884) – (A igreja do Diabo, O lapso, Último capítulo, Cantiga de esponsais, Singular ocorrência, Galeria póstuma, Capítulo dos chapéus, Conto alexandrino, Rimas de Sapucaia!, Uma senhora, Anedota pecuniária, Fulano, A segunda vida, Noite de almirante, Manuscrito de um sacristão, Ex cathedra, A senhora do Galvão, As academias de Sião).
  • Várias histórias (1896) – (A cartomante, Entre santos, Uns braços, Um homem célebre, A desejada das gentes, A causa secreta, Trio em lá menor, Adão e Eva, O enfermeiro, O diplomático, Mariana, Conto de escola, Um apólogo, D. Paula, Viver!, O cônego ou Metafísica do estilo).
  • Páginas recolhidas (1899) – (O caso da vara, O dicionário, Um erradio, Eterno!, Missa do galo, Idéias de canário, Lágrimas de Xerxes, Papéis velhos).
  • Relíquias de Casa Velha (1906) – (Pai contra mãe, Maria Cora, Marcha fúnebre, Um capitão de voluntários, Suje-se gordo!, Umas férias, Evolução, Pílades e Orestes, Anedota do cabriolet).

Peças de teatro de Machado de Assis

  • As forcas caudinas (1956)
  • Hoje avental, amanhã luva (1860)
  • Desencantos (1861)
  • O caminho da porta/O protocolo (1863)
  • Quase ministro (1864)
  • Os deuses de casaca (1866)
  • O bote de rapé (1878)
  • Tu, só tu, puro amor (1880)
  • Não consultes médico (1899)
  • Lição de botânica (1906)

Frases e pensamentos de Machado de Assis

Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.

Lágrimas não são argumentos.

Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz…

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.

Creia em si, mas não duvide sempre dos outros.

Não levante a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão.

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