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Biografia de Karl Marx – Quem foi Karl Marx

Confira a biografia completa de Karl Marx, tudo sobre sua vida, a lista completa de suas principais obras, pensamentos e frases. Karl Marx, ao lado de Émile Durkheim e Max Weber, foi um dos maiores pensadores da sociedade moderna, sendo eleito, em 2005, como o maior filósofo de todos os tempos. Sua obra abrange diversas áreas, e seu pensamento crítico sobre a sociedade capitalista – e, principalmente, sua elaboração do sistema comunista – serviu de base para várias revoluções de caráter trabalhista por todo o mundo.

Karl Heinrich Marx, o segundo de 9 filhos, nasceu no dia 5 de maio de 1818, em Tréveris (na época Reino da Prússia), em uma família judaica de classe média. Em 1830, mesmo ano em que eclodiram na Europa diversas revoluções, foi estudar na Liceu Friedrich Wilhelm; mais tarde, ingressou na Universidade de Bonn no curso de Direito, transferindo-se um ano depois para a Universidade de Berlim, tendo como professor e reitor o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Em Berlim, é preso por “perturbar a ordem com alarido noturno e bebedeira” e indiciado por “porte ilegal de arma”.

Dois semestres após sua transferência, Karl Marx começou a perder seu interesse pelo Direito, preferindo as áreas da Filosofia – frequentava poucas aulas, todas na área de Filosofia e História. Ingressou no Clube dos Doutores, uma agremiação de discípulos de Hegel, onde passava dias e noites discutindo. Na mesma época, conheceu Jenny von Westphalen, filha de um barão da Prússia, com quem ficaria noivo em sigilo dos pais, – já que nenhuma das duas famílias aprovava a união. Karl Marx conseguiu o título de doutor em Filosofia em 1841, mas foi impedido de seguir carreira acadêmica em consequência do governo reacionário da época; tornou-se então redator-chefe da Gazeta Renana (“Rheinische Zeitung”), de tendência liberal, em 1842, mesmo ano em que conheceu Friedrich Engels, quando este visitou a redação do jornal.

Trabalhar na redação do jornal fez com que Karl Marx se colocasse frente a problemas concretos de natureza política e econômica; entretanto, negava fortemente o comunismo. A Gazeta foi fechada após uma série de ataques ao governo prussiano, e Marx se mudou para Paris – logo após se casar com Jenny von Westphalen, no dia 19 de junho de 1843 –, editando junto a Arnold Ruge os Anuários Franco-Germânicos. Na cidade, Karl Marx viveu um tempo em uma “comunidade comunista“ – a qual abandonou em consequência de vários debates e brigas com os membros da comunidade –, conheceu diversos socialistas franceses e a Liga dos Justos (que mais tarde se tornaria a “Liga dos Comunistas“). No ano seguinte, em 1844, Engels visitou Marx por alguns dias; da amizade que nasceu entre os dois saíram algumas das obras mais importantes de crítica ao sistema capitalista.

Durante o tempo em que viveu em Paris, Karl Marx intensificou seus estudos sobre a história da França, o socialismo utópico e economia política, produzindo os “Manuscritos Econômico-Filosóficos“. Segundo Engels, foi nessa época que Marx aderiu aos ideais socialistas.

O governo prussiano conseguiu entrar em acordo com os franceses para que estes expulsassem Marx do país em 1845. O filósofo se mudou então para Bruxelas – junto à sua esposa e Engels –, onde fundou, com apenas 17 membros, o primeiro partido comunista do mundo; foi em Bruxelas que, anos mais tarde, a dupla de pensadores escreveria “O Manifesto Comunista“, além de outros textos. Karl Marx foi à Londres por pouco tempo, retornando à cidade durante a Revolução de 1848. Na cidade, Marx viveu em condições extremamente limitadas, tendo sua sobrevivência praticamente financiada por seu grande amigo Engels; sua casa, seus móveis e até suas roupas eram penhorados. De seu casamento com Jenny nasceram 7 filhos, mas devido às péssimas condições em que a família vivia em Londres, apenas 3 conseguiram chegar à idade adulta. (Karl Marx teria mais um filho com sua amante, Helena Demuth, mas pediu para que Engels assumisse a paternidade da criança, o que de fato aconteceu)

Apesar de sua condição precária de vida, conseguiu publicar o primeiro de três volumes de seu livro “O Capital“; o livro passou quase que despercebido pela crítica, sobrando ao próprio autor a tarefa de fazer resenhas críticas positivas e negativas.

Em 1848, foi expulso de Bruxelas; novamente, se mudou com sua família e Engels, dessa vez para Colônia, quarta maior cidade da Alemanha, onde fundou o jornal “Nova Gazeta Renana“ – que não duraria muito tempo: no ano seguinte, após ataques às autoridades, foram mais uma vez expulsos pelo governo. Retornaram à Paris, mas foram proibidos de fixar território na França. Conseguiram finalmente, depois de uma campanha de donativos promovida por Ferdinand Lassalle, se fixar em Londres, onde Karl Marx viveu até sua morte.

Jenny von Westphalen faleceu em dezembro de 1881, o que levou Marx à depressão e consequentes problemas de saúde – bronquite e pleurisia – que o levariam à morte, aos 65 anos de idade, em 1883. Karl Marx foi enterrado como apátrida, no Cemitério de Highgate, em Londres.

As ideias de Marx receberam pouca atenção durante sua vida; nos primeiros anos após sua morte, entretanto, sua teoria conseguiu uma crescente atenção e influência sobre os movimentos trabalhistas que surgiam na Europa, além de aparecer em menor escala em áreas acadêmicas ligadas às ciências humanas.

O Marxismo se constitui a partir da concepção do materialismo histórico – não se pode entender os conceitos e a base do capitalismo (que Karl Marx considerava como “a ditadura da burguesia“) sem levar em consideração seu processo histórico, suas relações de produção e suas relações sociais. Ele entende o trabalho como atividade necessária dos homens, se desenvolvendo socialmente, o que torna o homem um ser social. As relações econômicas se desenvolvem de modo dialético – mais precisamente, no conflito de classes; por isso, Marx irá dizer que a História é a história das lutas de classes.

Karl Marx
Karl Marx

Marx observou em seu tempo que a liberdade e independência dos homens estavam comprometidas, que o homem “foi tirado de si mesmo“; nesse contexto, desenvolveu a ideia de “auto-alienação“ dos homens como uma permanente depreciação do mundo humano. Essa alienação tem sua base na alienação do trabalhador em relação ao produto de seu trabalho – que não pertence a quem o produz, mas sim ao empregador, ao burguês. A chamada “mercadoria“ se torna uma coisa estranha, alheia ao  trabalhador – que ele produz, não detém poder sobre, e ainda precisa comprar para poder subsistir. Foi seguindo essa linha de pensamento que Marx desenvolveu também o conceito de mais-valia, a diferença entre o que o trabalhador produz e o que ele recebe, o valor extra colocado sobre a mercadoria, que gerará o lucro do empregador.

Essa alienação do trabalho leva a alienação do homem. A mercadoria e o dinheiro passam a dominar todas as esferas das relações interpessoais e, em última instância, o próprio trabalhador se torna mercadoria – tendo sua força de trabalho medida e comercializada pelo empregador.Marx irá dizer que o trabalhador é “o homem extraviado de si mesmo”.

Karl Marx acreditava que a revolução aconteceria quando o proletariado se conscientizasse de sua alienação. Para ele, baseando-se em sua análise histórica e concreta, essa revolução viria naturalmente, seguindo o curso do capitalismo; a grande concentração de capital na mão de poucos e o consequente empobrecimento das massas levaria à subversão e à revolução. Essa revolução teria como objetivo libertar o homem, superar a alienação e “derrubar todas as relações em que o homem é um ser degradado, escravizado, abandonado e desprezado”. E quem faria isso, para o revolucionário, seria o movimento comunista, ao eliminar todas as formas de propriedade privada, instaurando uma sociedade mais humana.

Karl Marx é considerado hoje um dos grande representantes da filosofia alemã, ao lado de Hegel, Kant e Nietzsche. É considerado um dos maiores pensadores e visionários de todos os tempos, e sua obra é comparada, em termos de profundidade e extensão, a de Aristóteles. Seu pensamento ultrapassa a barreira da discussão econômica, englobando as áreas da filosofia, história, política, sociologia, direito, psicologia, comunicação, literatura, pedagogia, antropologia, teologia e muitas outras.

Livros e obras de Karl Marx

Livros e Obras de Karl Marx – Período Jovem (1841 a 1850)

Escritos predominantemente voltados para a filosofia pura.

  • Diferença da Filosofia da Natureza em Demócrito e Epicuro – 1841
  • Tese de doutoramento na Universidade de Iena
  • Crítica da Filosofia do Direito de Hegel – 1843
  • A Questão Judaica – 1843
  • Contribuição para a Crítica da Filosofia do Direito em Hegel: Introdução – 1844
  • Manuscritos Econômico-filosóficos – 1844
  • Teses sobre Feuerbach – 1845
  • A Sagrada Família – 1845
  • A Ideologia Alemã – 1845-1846
  • Miséria da Filosofia – 1847
  • Manifesto Comunista – 1848
  • Trabalho Assalariado e Capital – 1849
  • As Lutas de Classe na França de 1848 a 1850
  • Mensagem da Direção Central da Liga Comunista – 1850

Livros e Obras de Karl Marx – Período de Transição (1852 a 1856)

Os trabalhos de Marx começam a se deslocar da filosofia para economia.

  • O 18 de Brumário de Luís Bonaparte – 1852
  • Punição Capital – 1853
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em 18 de fevereiro de 1853
  • Revolução na China e na Europa – 1853
  • O Domínio Britânico na Índia – 1853
  • Guerra na Birmânia – 1853
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em 30 de junho de 1853
  • Resultados Futuros do Domínio Britânico na Índia – 1853
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em 8 de agosto de 1853
  • A Decadência da Autoridade Religiosa – 1854
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em 24 de outubro de 1854
  • Revolução na Espanha – 1856
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em duas partes, 8 e 18 de agosto de 1856

Livros e Obras de Karl Marx – Marx maduro (1857 a 1880)

Nesta época os estudos econômicos estão evidentes em seus escritos.

  • Grundrisse – 1857-1858
  • Para a Crítica da Economia Política – 1859
  • População, Crime e Pauperismo – 1859
  • Artigo publicado no New York Daily Tribune em 16 de setembro de 1859
  • Manifesto de Lançamento da Primeira Internacional – 1864
  • Salário, Preço e Lucro – 1865
  • O Capital: crítica da economia política (Livro I: O processo de produção do capital) – 1867
  • Durante os anos seguintes, até o fim de sua vida, Marx se dedicará à redação dos demais volumes de O Capital publicados postumamente por Engels).
  • A Guerra Civil na França – 1871
  • Resumo de “Estatismo e Anarquia”, obra de Bakunin – 1874-1875
  • Crítica ao Programa de Gotha – 1875
  • Artigo em defesa da Polônia, publicado em Der Volksaat2 – 1875
  • Notas sobre Adolph Wagner – 1880

Frases e Pensamentos de Karl Marx

Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem… a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

As revoluções são a locomotiva da história. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas. (Frases e Pensamentos de Karl Marx)

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