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Biografia de Juscelino Kubitschek – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Juscelino Kubitschek, tudo sobre sua vida. O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira nasceu no dia 12 de setembro de 1902 em um casarão colonial em Diamantina, Minas Gerais, filho de João César de Oliveira e Júlia Kubitschek. Seu pai, após contrair uma tuberculose, se isolou de todos, afim de que mais ninguém adoecesse; João morreu no dia 10 de janeiro de 1905, quando Juscelino tinha apenas 3 anos de idade. Júlia, de ascendência checa e etnia cigana (O presidente Juscelino Kubitschek foi o único no mundo com essa etnia), se tornou viúva com apenas 28 anos, e se recusou a casar-se novamente, dedicando-se à criação de seus dois filhos, Juscelino e Maria da Conceição, nascida em 1901.

Juscelino Kubitschek estudou no seminário dos padres Lazaristas, concluindo aos 15 anos. A partir daí, sem condições para pagar seus estudos em Belo Horizonte, passou a estudar sozinho com a ajuda de alguns professores até conseguir, em 1922, passar para a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. Na época da faculdade conheceu Sarah Gomes de Lemos, filha do deputado federal Jaime Gomes de Sousa Lemos. Em abril de 1930, viajou para o Rio de Janeiro, donde pegou o navio para a França, onde faria um curso de urologia com 3 semanas de duração. Apesar do pouco dinheiro, conheceu diversos países europeus e seus sistemas de saúde, até descobrir que no Brasil havia acabado de acontecer a Revolução de 30, com o golpe que colocou Getúlio Vargas no poder. Juscelino voltou imediatamente para o Brasil, pedindo a mão de Sarah em casamento assim que aportou.

Voltou para Minas Gerais para continuar seus trabalhos como médico nas clínicas que trabalhava, mas foi convocado em 17 de março de 1931 para fazer parte da Força Pública como capitão-médico no Hospital Militar. No dia 30 de dezembro do mesmo ano, Juscelino e Sarah se casaram, indo morar juntos em uma casa perto de Maria da Conceição, em Belo Horizonte.

Durante o conflito entre o estado de São Paulo e o Governo Vargas em 1932 (Revolução Constitucionalista), Juscelino Kubitschek  foi mandado para a Serra da Mantiqueira, onde recebeu um paciente em estado grave. Pediu para um coronel-médico que o ajudasse na operação, mas este se recusou; Juscelino operou ao lado de um veterinário e uma freira, e juntos conseguiram salvar o soldado. Quando o capitão apareceu para punir o coronel que se recusou a ajudar, Juscelino Kubitschek pediu para que o inquérito não fosse aberto, o que aumentou sua simpatia com o Exército brasileiro.

Biográfia de Juscelino Kubitschek
Juscelino Kubitschek

Em 1933, JK foi nomeado para o cargo de chefe-de-gabinete do governo de Minas Gerais, mas recusou. Benedito Valadares, agora governador, foi até o hospital onde Juscelino trabalhava e anunciou a nomeação, não deixando outra escolha para o médico, a não ser aceitar. No cargo, ajudou a abrir estradas e preservar prédios históricos, e, em 1934, se tornou o deputado federal mais botado de MG, filiado ao recém criado Partido Progressista. Foi deputado até o dia 10 de novembro de 1937, quando o golpe do Estado Novo fechou o Congresso Nacional. Naquele momento Juscelino Kubitschek decidiu que sairia da política.

Em 1940, Benedito Valadares nomeou Juscelino Kubitschek para prefeito de Belo Horizonte. No cargo, promoveu grandes mudanças na cidade, como as melhorias no saneamento básico, a pavimentação e construção de avenidas, a construção de Pampulha, o Museu de Belo Horizonte, o Instituto de Belas Artes, a criação de bairros, pontes, o desenvolvimento da rede subterrânea de luz e telefone, etc. Com a queda do Estado Novo, em 1945, todos os governantes indicados pela ditadura deixaram seus cargos, incluindo Juscelino Kubitschek. Em outubro de 1943, nascia Márcia Kubitschek, primeira filha do casal (que adotaria mais uma menina, Maria Estela Kubitschek, em 1947).

Voltou para a política em dezembro de 1945, ao ser eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD). Com a eleição, se mudou com sua mulher e sua filha, Márcia, para a então capital do país, Rio de Janeiro. No fim de janeiro de 1951 Juscelino Kubitschek, se tornou governador de Minas Gerais, quando fundou a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e construiu cinco usinas hidrelétricas, estimulando o desenvolvimento industrial da região. Além disso, construiu diversas estradas, pontes, escolas e postos de saúde. No dia 30 de março de 1955, Juscelino Kubitschek renunciou ao cargo de governador para concorrer a presidência. Na base de seu discurso estava a necessidade de elevar o padrão de vida da população por meio de uma política de conteúdo social.

“50 anos em 5”

Juscelino Kubitschek foi eleito Presidente da República no dia 3 de outubro de 1955, tomando posse apenas em 31 de janeiro do ano seguinte. Foi o último a assumir o cargo no Palácio do Catete, governando por 5 anos, até 31 de janeiro de 1961 (na época não havia reeleição). Com seu programa “50 anos em 5“ e o Plano de Metas, JK trouxe para o país a indústria automobilística, promoveu as indústrias siderúrgica e naval, construiu enormes hidroelétricas, como a Furnas e a Três Marias, aumentou a produção de petróleo da Petrobrás, abriu o país para a entrada de capital estrangeiro, criou uma política para movimentar o mercado interno, abriu estradas transregionais, como a BR-153 (que liga Belém a Brasília) e a BR-364 (a primeira a ligar o centro do Brasil a Rondônia e Acre), conectando todas as regiões do país.

Juscelino Kubitschek
Juscelino Kubitschek

No governo de Juscelino Kubitschek também foi construída a refinaria do petróleo em Duque de Caxias, em 1961. Com ela, o Brasil se tornou autossuficiente na produção de petróleo e derivados (como gasolina e óleo diesel). Muitos críticos consideram as construções das rodovias de JK prejudiciais para o país, que teria se beneficiado mais com uma enorme malha ferroviária.Mas sua maior realização, que contribuiu em peso para a História e a política do Brasil, foi a construção da nova capital brasileira, Brasília.

Durante sua campanha eleitoral, JK visitou o nordeste e o norte do país, e constatou que não havia como o governo, sediado no sudeste, atender às necessidades da população da região. O projeto da nova capital já estava prevista nas Constituições de 1891 e 1934, mas teve sua construção adiada por todos os governos. Juscelino fez de Brasília sua base nas campanhas eleitorais, e trabalhou em tempo recorde para que a capital ficasse pronta até o dia 21 de abril de 1960, em homenagem à inconfidência mineira. As obras foram lideradas pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, tornando Brasília uma das obras mais importantes da arquitetura contemporânea – sendo tombada no dia 7 de dezembro de 1987 pela Unesco como patrimônio histórico e cultural da humanidade.

Para construir Brasília, Juscelino Kubitschek precisou aumentar em mais de 200 milhões de dólares a dívida externa brasileira e aproximadamente 500 milhões de dólares a dívida interna. Seu mandato terminou com uma enorme onda de inflação (chegando aos 81%) e queda nos salários, gerando greves e manifestações por todo o país.

No dia 3 de outubro de 1960, o ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros, apoiado pela UDN, venceu as eleições para a presidência da república, com João Goulart sendo reeleito vice-presidente (vale lembrar que naquela época presidentes e vices poderiam ser de partidos diferentes e até completamente opostos – o que gerou enormes conflitos ao longo da História brasileira). Dessa forma, Juscelino Kubitschek se tornou o primeiro presidente civil desde Artur Bernardes que iniciou e concluiu seu mandato dentro do prazo determinado pela Constituição. Após JK, o primeiro presidente civil eleito por voto direto a realizar este feito foi Fernando Henrique Cardoso.

Após sair da presidência, Juscelino Kubitschek  foi eleito senador em 1962. Tinha planos de concorrer à presidência mais uma vez, nas eleições de 1965, mas o golpe militar implantado em 1964 frustrou seus planos. Foi acusado de corrupção e de ser apoiado por comunistas, tendo seus direitos políticos cassados. Se exilou então nos Estados Unidos e na Europa, retornando ao Brasil após as eleições de 1965, na qual Castelo Branco foi eleito indiretamente presidente. JK virou assunto banido pelos militares, sendo inclusive proibido de ser sequer mencionado na televisão.

No dia 22 de agosto de 1976, Juscelino Kubitschek sofreu um acidente na rodovia Presidente Dutra, no qual ele e seu amigo Geraldo Ribeiro faleceram; o local do acidente ficou conhecido como “Curva JK”. Mais de 300 mil pessoas acompanharam o funeral, e seu corpo está hoje enterrado no Memorial JK, construído em 1981, na capital brasileira que ele mesmo fundou.

Com JK, o Brasil viveu os chamados “Anos Dourados”, marcados por uma rápida industrialização, a popularização de eletrodomésticos de todos os tipos e um considerável aumento da comunicação – com revistas icônicas como “O Cruzeiro“ circulando, programas de rádio que chegavam cada vez mais a todos os cantos do país e o cinema brasileiro em sua fase de ouro. Seu governo foi de extrema importância, não só pelas grandes obras, mas por estabilizar o governo depois (e antes) da ditadura.

Frases de Juscelino Kubitschek

Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro. – (Juscelino Kubitschek)

O otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando. – (Juscelino Kubitschek)

Sou visceralmente democrata. Para mim, a liberdade é algo fundamental. – (Juscelino Kubitschek)

Deixemos entregues ao esquecimento e ao juízo da história os que não compreenderam e não amaram esta obra. – (Juscelino Kubitschek)

O Brasil vai viver 50 anos em 5. – (Juscelino Kubitschek)

Curiosidades de Juscelino Kubitschek

O apelido de infância de Juscelino Kubitschek era Nonô.

Juscelino Kubitschek tinha um café da manhã pouco convencional: filé bem passado, leite, café, mel, pão e manteiga. Seu prato preferido era Chico Angu (frango com quiabo e angu de fubá).

Outra de suas manias era tirar os sapatos em qualquer reunião ou encontro em que estivesse sentado.

O slogan de seu governo era “50 anos em 5”. Juscelino Kubitschek falou pela primeira vez em construir a capital no Planalto Central num discurso na cidade goiana de Jataí, em 4 de abril de 1955, durante a sua campanha. As obras foram iniciadas em fevereiro de 1957, num regime de trabalho ininterrupto.

Em 1970, Juscelino Kubitschek descobriu que tinha câncer na próstata. Como já havia feito ao sofrer um infarto quando ocupava a Presidência, escondeu a doença de todos e foi se tratar em Nova York. Ali, passou por uma cirurgia que o deixou impotente. Em 1975, descobriu que a operação não fora tão bem-sucedida quanto imaginava. O câncer havia se espalhado por outros órgãos.

Juscelino morreu às 18 horas do domingo 22 de agosto de 1976. Ele ia de São Paulo para o Rio de Janeiro pela Via Dutra, em seu Opala verde metálico, dirigido por Geraldo Ribeiro, seu motorista havia 36 anos. Na altura do quilômetro 165, o Opala foi fechado por um ônibus, atravessou a pista e bateu de frente contra a lateral de uma carreta. Juscelino e Geraldo morreram na hora.

Em 2005, a Rede Globo decidiu produzir uma minissérie sobre a vida do “presidente pé de valsa”. Wagner Moura e José Wilker interpretaram o político em fases diferentes de sua vida.

Juscelino Kubitschek foi o único presidente de origem cigana no mundo. Sua Mãe, Júlia Kubitschek, era descendente de tchecos e tinha etnia cigana.

O ex-presidente jogou futebol amador pelo América de Minas. Ele adorava o esporte, e era torcedor fanático do time mineiro.

A música preferida de Juscelino Kubitschek era “Peixe Vivo”, de Milton Nascimento. Por isso, ela foi escolhida para ser tocada em seu enterro.

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