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Biografia de Fernando Pessoa

Confira a biografia completa de Fernando Pessoa, tudo sobre sua vida, a lista completa de suas principais obras, poemas e poesias, pensamentos e frases.

Navegar é preciso, viver não é preciso“. Fernando Pessoa, autor desta frase – e de tantas outras memoráveis da literatura portuguesa – é considerado um dos maiores poetas da língua, tendo sua obra comparada à de Luís de Camões.

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu no dia 13 de junho de 1888 em São Carlos, Lisboa, filho de Joaquim de Seabra Pessoa e D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa. Seu pai morreu de tuberculose em 1893, quando Fernando tinha cinco anos de idade; no ano seguinte, morreu seu irmão, Jorge, com menos de um ano de idade. Em 1896, sua mãe se casou com João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, África do Sul, e lá viveram entre 1895 e 1905. No país, estudou no Liceu de Durban por 3 anos, onde aprendeu e estudou a língua inglesa. Em 1899, criou seu primeiro pseudônimo, Alexander Search, pelo qual enviava cartas a si mesmo; em 1901, foi aprovado com distinção na Cape School High Examination; lá escreveu seus primeiros poemas em inglês. Na mesma época, sua irmã, Madalena Henriqueta, faleceu aos dois anos de idade.

Dividindo a atenção da mãe com os 4 filhos de seu novo casamento e com o padrasto, Fernando Pessoa se isola, passando a dedicar-se a reflexão e ao estudo da literatura inglesa, através de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, Lord Byron, entre outros. Ingressou na Universidade do Cabo em 1903, quando começou a escrever poesias e prosas em inglês, assinando com o heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Concluiu seus estudos recebendo o Intermediate Examination in Arts, com boa classificação.

Fernando Pessoa voltou sozinho para Lisboa em 1905 e frequentou por um ano o Curso Superior de Letras. Tentou montar sua própria editora mas não conseguiu, passando então a traduzir correspondências de casas comerciais (ofício em que esteve até a morte) e a estudar filosofia – grega e alemã –, ciências sociais e literatura moderna – sobretudo Shakespeare, Wordsworth, Baudelaire e Camilo Pessanha – nas horas vagas, além de escrever ocasionalmente, a partir de 1912,  para a revista ‘A Águia’ com críticas literárias sobre a poesia portuguesa da época. Nesse mesmo ano, Fernando Pessoa começou a trocar correspondências com seu amigo Mário de Sá-Carneiro que, de Paris, lhe mandava notícias sobre o Cubismo e o Futurismo.

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Em 1913, publicou “Impressões do Crepúsculo“ e, em 1914, começaram a surgir seus 3 principais heterônimos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Os 3 nomes simbolizavam 3 personalidades distintas dentro do poeta – há o radical, niilista, desiludido com a velocidade da vida moderna e estrangeiro dentro de seu próprio país; o clássico, harmônico e bucólico; e o pensador, reflexivo e de linguagem simples e pensamentos complexos. Para cada nome foi atribuída uma vida, uma biografia e até um horóscopo próprio. Com eles, Fernando Pessoa aborda as principais temáticas de sua obra, como a pluralidade/singularidade das coisas, o estranhamento da existência e a sinceridade.

Fundou em 1915, junto a Mário de Sá-Carneiro (que cometeria suicídio no ano seguinte) e outros poetas e artistas plásticos, o Grupo Orpheu, seguido da revista de mesmo nome – que se tornou um marco do lançamento do modernismo português, gerando muita controvérsia. A revista só teve dois números, nos quais Pessoa publicou em seu nome e como o heterônimo Álvaro de Campos.  Nos anos seguintes, colaborou com diversas revistas portuguesas, como ‘Exílio‘, ‘Portugal Futurista‘,  ‘Contemporânea‘ (a qual foi co-diretor por 4 anos) e ‘Presença‘.

Em 1920, Fernando Pessoa voltou a morar com sua mãe, que regressara da África do Sul viúva; Maria Magdalena morreu cinco anos depois. Em outubro de 1924, lançou, junto a Ruy Vaz, a revista ‘Athena‘, onde publicou poesias e prosas de seus 3 heterônimos, assim como o ortônimo Fernando Pessoa. Em 1934, publicou “Mensagem“, seu único livro publicado em vida, de cunho místico-nacionalista.

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa aos 6 anos de idade.

Fernando Pessoa morreu no dia 30 de novembro de 1935, aos 47 anos, no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, por problemas decorrentes de seu consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Sua última frase, já prenunciando o fim de sua vida, foi escrita na cama do hospital em inglês, no dia 29 de novembro – “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).

Ao tratar, mesmo que de maneira simples, sua vida sob heterônomos, Fernando Pessoa se tornou um poeta extremamente complexo e enigmático. Levando uma vida relativamente monótona, encontrou refúgio em outras vidas e abrigo em sua língua, declarando-se simplesmente como “drama em gente“.

O poeta é um fingidor

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”

Heterônimos de Fernando Pessoa

Álvaro de Campos

Entre todos os heterónimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.

Ricardo Reis

O heterónimo Ricardo Reis é descrito como um médico que se definia como latinista e monárquico. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos.

Alberto Caeiro

Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como camponês, quase sem estudos formais. Teve apenas a instrução primária, mas é considerado o mestre entre os heterónimos (pelo ortónimo). Depois da morte do pai e da mãe, permaneceu em casa com uma tia-avó, vivendo de modestos rendimentos e morreu de tuberculose. Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma “não-filosofia”. Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a metafísica e qualquer tipo de simbologia para a vida.

Bernardo Soares

Bernardo Soares é, dentro da ficção de seu próprio Livro do Desassossego, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Conheceu Fernando Pessoa numa pequena casa de pasto frequentada por ambos. Foi aí que Bernardo deu a ler a Fernando seu livro, que, mesmo escrito em forma de fragmentos, é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX.

Poemas e Poesias de Fernando Pessoa

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Frases de Fernando Pessoa

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. – (Frases de Fernando Pessoa)

Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido. – (Frases de Fernando Pessoa)

E afinal o que quero é fé, é calma, e não ter essas sensações confusas. – (Frases de Fernando Pessoa)

É fácil trocar as palavras, difícil é interpretar o silêncio. – (Frases de Fernando Pessoa)

Tudo o que e bom dura o tempo necessário para ser inesquecível – (Frases de Fernando Pessoa)

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