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Biografia de Cazuza – Vida e Obra

Confira a incrível biografia completa de Cazuza, tudo sobre a vida e obra e a lista completa de suas principais músicas, discografia, pensamentos e frases.

Vida, louca vida, vida breve

Quem não conhece uma música cantada por Cazuza que atire a primeira pedra. O compositor de sucessos como “Exagerado“, “O Tempo Não Pára“, “Codinome Beija-Flor“ entre tantos outros, tanto em carreira solo quanto no Barão Vermelho, marcou toda uma geração e deixou um legado que é escutado e sentido por jovens – de corpo ou de alma – até hoje.

Agenor de Miranda Araújo Neto o Cazuza nasceu no Rio de Janeiro em 4 de abril de 1958. Filho do produtor fonográfico João Araújo (presidente da Som Livre), Cazuza começou a escrever poemas aos sete anos e desde criança se mostrava interessado por cantores de composições melodiosas e dramáticas, como Cartola, Maysa e Noel Rosa. Morador do bairro do Leblon, bairro de classe alta da cidade, Cazuza cresceu junto a nomes como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa entre outros, graças à profissão do pai.

Em 1972 Cazuza entrou em contato com a música de Janis Joplis, Led Zeppelin e dos Rolling Stones. Em 1979 foi para os Estados Unidos para fazer um curso de fotografia e lá conheceu a literatura da Geração Beat – os poetas malditos – que seria de grande influência anos mais tarde, em suas poesias e canções. Em 1980, já de volta ao Rio de Janeiro, foi convidado pelo cantor e compositor Léo Jaime para integrar uma banda de rock que estava se formando mas Jaime havia se recusado a ficar nos vocais. Ali surgia o Barão Vermelho, junto com Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria).

Cazuza
Cazuza

Em 1982 é lançado o primeiro álbum da banda, lançando já clássicos como “Bilhetinho Azul“ e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida“. Apesar de pouco vendido, o álbum foi sucesso de crítica e serviu de base para o segundo álbum, ‘Barão Vermelho 2‘. Nessa época Caetano Veloso apontou Cazuza como um dos maiores poetas de sua geração e criticou as rádios, que se recusavam a tocar suas músicas. A banda só foi estourar por todo o país de fato após Ney Matogrosso cantar o sucesso “Pro Dia Nascer Feliz“. Pouco depois a banda foi convidada a gravar a canção-título do filme Bete Balanço, mais um clássico da banda que, por um lado, impulsionou o filme – que virou sucesso de bilheteria – e, por outro, impulsionou as vendas do terceiro álbum da banda, ‘Maior Abandonado’, lançado em outubro de 1984, que conquistou o Disco de Ouro. O Barão Vermelho se apresentou na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, em uma apresentação que virou um marco por coincidir com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da ditadura militar. Cazuza anunciou o fato ao público e celebrou com a música “Pro Dia Nascer Feliz“.

No mesmo ano, durante os ensaios do quarto álbum, Cazuza abandonou o Barão Vermelho para se dedicar à carreira solo, alegando que não conseguia se expressar poética e musicalmente na banda. Suspeita-se que nessa época o cantor começou a ter indícios da AIDS que tomaria sua vida cinco anos depois; logo fez um exame mas os resultados deram negativos. No final do mesmo ano Cazuza lançou seu primeiro álbum em carreira solo, ‘Exagerado’, faixa-título em parceria com Leoni, que se tornou uma das marcas mais fortes do cantor. Em 1986 lançou seu segundo álbum solo, ‘Só Se For A Dois’, revelando canções mais calmas e românticas, como “Só Se For A Dois“ e “Solidão Que Nada“.

Em novo exame feito em 1987, ao internado por pneumonia, Cazuza descobriu ser portador do vírus HIV. Após um tratamento no New England Hospital, em Boston, Cazuza voltou para o Rio de Janeiro e em 1988 lança o álbum “Ideologia“, álbum onde se encontram os sucessos “Ideologia“, “Faz Parte do Meu Show“ e “Brasil“ que, na voz da cantora Gal Costa, virou música tema da novela Vale-Tudo, exibida na Rede Globo. O álbum “O Tempo Não Pára“, gravado no Canecão durante a turnê de “Ideologia“, virou sucesso de vendas, ultrapassando a marca dos 500.000 exemplares vendidos.

Em fevereiro de 1989 Cazuza declarou publicamente que era soropositivo, alertando e ajudando a se criar uma consciência em relação à doença e seus efeitos – uma doença por décadas tão mal vista e condenada pela sociedade. Nesse mesmo ano recebeu o Prêmio Sharp de melhor canção por “Brasil“ e de melhor álbum por “Ideologia“, os quais recebeu já em cadeira de rodas. Poucos meses depois lançou seu último álbum, “Burguesia“, com uma voz já claramente debilitada e enfraquecida.

No dia 7 de julho de 1990, após uma nova internação em Boston e de uma série de tratamentos alternativos em São Paulo, Cazuza, aos 32 anos, morre no Rio de Janeiro por um choque séptico causado pela AIDS. O caixão foi levado à sepultura no cemitério São João Batista por seus ex-companheiros do Barão Vermelho. Um ano depois foi lançado o álbum póstumo “Por Aí“.

Cazuza
Cazuza

Cazuza gravou 126 canções (em carreira solo e com o Barão Vermelho), deixou 78 inéditas e compôs 34 para outros intérpretes – tudo em apenas nove anos de carreia. Após sua morte seus pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, que ajuda crianças soropositivas a terem uma vida melhor através da educação, da saúde e do lazer. Dezenas de nomes da música brasileira já regravaram suas canções, sua vida foi retratada em biografias literárias e no filme “Cazuza – O Tempo Não Pára“. Em 2008 entrou em 34ª na lista promovida pela Revista Rolling Stones dos ‘100 Maiores Nomes da Música Brasileira’.

Cazuza viveu bem a expressão ’20 anos à 1.000 por hora‘. Frequentador do Baixo Leblon, de orgias, consumia drogas, era poeta, cantor, escritor, compositor. Atormentado por seus próprios demônios. Um espírito extremamente livre – e exagerado –  para uma alma extremamente angustiada. Cazuza

Frases de Cazuza

Tenho amor incondicional pelas pessoas que entram em minha vida e sinceramente, não sei o quanto isso é bom nos dias atuais. Talvez esse seja meu pior defeito. – (Frases de Cazuza)

O nosso amor a gente inventa pra se distrair e quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu. – (Frases de Cazuza)

Tudo é tão simples que cabe num cartão postal… – (Frases de Cazuza)

Eu sou egoísta demais pra me incomodar com os outros. – (Frases de Cazuza)

Curiosidades sobre Cazuza

– Cazuza media 1,76 de altura e pesava em torno de 68 quilos (antes de adoecer). O número de seu sapato era 42.

– Cazuza estudou fotografia nos EUA. Ele gostava bastante de fotografar e de ser fotografado, posar para fotos. Ele tinha preferência por fotos em preto-e-branco.

– Cazuza gostava de cachorros e costumava dar nome de gente aos seus cães, como Wanderley, um belo vira-lata que acompanhou Cazuza por muitos anos.

– Quando o Barão Vermelho foi formado, e eles começaram a fazer shows por várias cidades, o baixista Dé era menor de idade e Cazuza ficou sendo seu tutor.

– Desde criança, Cazuza era apaixonado por carros, e não demorou a trocar os de brinquedo pelo de verdade, de seu pai. Aos 12 anos já dirigia e aos 13 tinha a chave do carro! Sempre que algum parente comprava um carro novo, era obrigatório levar Cazuza para ver e dar uma volta.

– No começo de 89, após assumir a AIDS, Cazuza estava num programa de TV em que a atriz Vera Fisher também estava presente. Ela lascou um beijo na boca do Caju e depois fez um comentário dizendo que não se pega AIDS com beijo.

Discografia de Cazuza

1985 – Exagerado
1987 – Só se for a 2
1988 – O Tempo não Para
1988 – Ideologia
1989 – Burguesia
1991 – Por aí
1991 – Personalidade
1993 – Minha história
1998 – Cazuza Remixes
2000 – O poeta não morreu
2000 – Sem limite
2001 – Preciso dizer que te amo / Toda a paixão do poeta
2004 – A arte de Cazuza

Alguns livros sobre Cazuza

1990 – Songbook Cazuza Vol. 1, de Almir Chediak, Lumiar Editora
1990 – Songbook Cazuza Vol. 2, de Almir Chediak, Lumiar Editora
1997 – Cazuza, Só As Mães São Felizes, de Lucinha Araújo e Regina Echeverria, Editora Globo
2001 – Cazuza, Preciso Dizer Que Te Amo – Todas as Letras do Poeta de Lucinha Araújo e Regina Echeverria, Editora Globo

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