Home > Biografias > Biografia de Aleijadinho – Vida e Obra

Biografia de Aleijadinho – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Aleijadinho, tudo sobre sua vida e as principais obras do mestre do barroco. Não se sabe muito sobre a vida de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Filho de um mestre de obras português, Manuel Francisco, e uma escrava africana, nasceu no ano de 1730 (apesar de alguns biógrafos considerarem o ano de 1738 como sendo o verdadeiro ano do nascimento do artista) em Vila Rica, atual Ouro Preto, em Minas Gerais.

Antônio(Aleijadinho) acompanhava seu pai e seu tio, Antônio Francisco Pombal, em seus trabalhos, o que deu ao menino um grande conhecimento em desenhos, arquitetura e esculturas. De 1750 a 1759, estudou no Seminário dos Fraciscanos Donatos, onde aprendeu português, latim, matemática e religião. Seu primeiro trabalho data de 1752, em um desenho para o chafariz do pátio do Palácio dos Governadores.

Por ser mulato, muitas vezes Antônio(Aleijadinho) não pôde trabalhar como mestre de suas obras, o que fez com que muitas de suas autorias fossem contestadas – e continuam sendo contestadas até hoje. Entre 1760 até sua morte esculpiu grande obras, várias não autenticadas como sendo do próprio. Seu pai morreu no ano de 1767, aos 70 anos – mas, por ser filho bastardo, não teve direito ao testamento; no ano seguinte, entrou no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto, onde ficou 3 anos, sem parar com a feitura de suas obras: nesse período, recebeu importantes encomendas, como a execução da fachada principal da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de Sabará, e os púlpitos da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto.

Aleijadinho
Aleijadinho

Antônio(Aleijadinho) trabalhou durante o período de transição do Barroco para o Rococó, recebendo influência de ambos. O Barroco foi um estilo contra o Renascentismo; no Barroco estavam presentes a assimetria, o excesso e a irregularidade. Essa nova visão não se limitou apenas à arte, entrando na vida e na cultura daquele período, marcado pelos debates, pelo contraste e pelo dramático. O Rococó pode ser colocado como uma suavização do Barroco; ele foi caracterizado pelo abandono da densidade e do peso da decoração barroca, passando a usar cores mais claras e espaços mais amplos.

Por volta de 1770, Antônio abriu sua oficina, regulada e reconhecida pela Câmara de Ouro Preto em 1772; no mesmo ano, no dia 5 de agosto, se tornou membro da Irmandade de São José de Ouro Preto. Em 1776, foi convocado para trabalhar no batalhão militar reconstruindo um forte no Rio Grande do Sul, mas foi dispensado ao chegar no Rio de Janeiro. Na cidade, providenciou o averbamento judicial da paternidade de um filho que tivera com a mulata Narcisa Rodrigues da Conceição; o menino levou o nome do avô, Manuel Francisco Lisboa, mas a mulher abandonou Antônio e ficou no Rio, onde o menino mais tarde se tornaria artesão.

Antônio voltou para Minas Gerais. Em 1777, sinais de uma grave doença, que parecia se agravar nos dedos e nas mãos, começaram a aparecer, deixando o artesão profundamente entristecido. A doença, que até hoje é discutida por especialistas, prejudicou seu trabalho, mas Antônio – que aos poucos ia se tornando Aleijadinho – continuou trabalhando intensamente e recebendo grande encomendas, como as esculturas da Via Sacra e os Profetas para o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congo (ambas encomendadas em 1796 e consideradas sua obra-prima). Em dezembro de 1787, se tornou formalmente juiz da Irmandade de São José.

A doença de Aleijadinho cresceu a ponto de perder quase todos os dedos das mãos e todos dos pés; precisava contratar escravos que o carregavam para seu trabalho, comprar roupas largas e chapéus, que escondiam suas deformidades, e só trabalhava à noite e em lugares fechados, para que ninguém o visse. A doença também atingiu seu rosto; tinha consciência da aparência que passou a ter e se afastou de todos – antes um grande fã de festas populares, danças e comidas, se tornou desconfiado e colérico.

Aleijadinho fechou sua oficina por volta de 1808, quando sua doença já estava em estado avançado, mas ainda assim realizou algumas obras. A partir de 1812 sua saúde piorou a tal ponto que precisou depender de pessoas que o ajudavam. Se mudou para uma casa perto da Igreja do Carmo de Ouro Preto, onde supervisionava o trabalho de seu discípulo Justino de Almeida. Pouco tempo depois, foi morar com a nora, que cuidou do artista até o dia de sua morte, em 19 de novembro de 1814. Foi sepultado junto ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte, na Matriz de Antônio Dias.

O mito em torno de Aleijadinho se deu no começo do século XX, em uma busca pela verdadeira “brasilidade“, encontrada em determinados personagens, transformados em imortais. Aleijadinho, um homem mulato, filho de uma escrava com um português, criador de grandes obras, prontamente se encaixou nesse perfil. De qualquer forma, é certo que Aleijadinho misturou em suas obras elementos da cultura popular – muitos afirmam que ele criou uma escola de artes própria, paralela ao Barroco e ao Rococó –, sendo uma das principais influências na criação de obras sacras – principalmente em Minas Gerais, mas também em todo o mundo.

Principais Obras de Aleijadinho

1752 – Ouro Preto: Chafariz do Palácio dos Governadores. Risco do pai, execução de Aleijadinho.
1757 – Ouro Preto: Chafariz do Alto da Cruz. Risco do pai, execução de Aleijadinho.
1761 – Ouro Preto: Busto no Chafariz do Alto da Cruz.
1761 – Ouro Preto: Mesa e 4 bancos para o Palácio dos Governadores.
1764 – Barão de Cocais : Esculpiu a imagem de São João Batista em Pedra Sabão e projetou a tarja do arco cruzeiro no interior do Santuário de São João Batista
1770 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1771 – Rio Pomba: Medição do risco do altar-mor da Matriz.
1771-2 – Ouro Preto: Risco do altar-mor da Igreja de São José.
1771 – Ouro Preto: Medição do risco da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1771 – Ouro Preto: Risco para um açougue.
1771-2 – Ouro Preto: Púlpitos para a Igreja de São Francisco.
1773-4 – Ouro Preto: Barrete da capela-mor da Igreja de São Francisco.
1774 – São João del-Rei: Aprovação do risco da Igreja de São Francisco.
1774 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1774 – Ouro Preto: Novo risco da portada da Igreja de São Francisco.
1775 – Ouro Preto: Risco da capela-mor e altar da Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
1777-8 – Ouro Preto: Inspeção de obras na Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
1778 – Sabará: Inspeção de obras na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1778-9 – Ouro Preto: Risco do altar-mor da Igreja de São Francisco.
1779 – Sabará: Risco do cancelo e uma estátua para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1781 – Sabará: Trabalho não especificado para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1781 – São João del-Rei: Encomenda do risco do altar-mor da Igreja de São Francisco.
1781-2 – Sabará: Cancelo, púlpitos, coro e portas principais da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1785 – Morro Grande: Inspeção de obras na Matriz.
1789 – Ouro Preto: Pedras de ara para a Igreja de São Francisco.
1790 – Mariana: Registro do segundo vereador na Casa de Câmara e Cadeia
1790-4 – Ouro Preto: Altar-mor da Igreja de São Francisco.
1794 – Ouro Preto: Inspeção de obras na Igreja de São Francisco.
1796-9 – Congonhas: Figuras dos Passos da Paixão para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.
1799 – Ouro Preto: Quatro anjos de andor para a Igreja de Nossa Senhora do Pilar.
1800-5 – Congonhas: Doze Profetas para o adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.
1801-6 – Congonhas: Lâmpadas para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.
1804 – Congonhas: Caixa do órgão do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.
1806 – Sabará: Risco do altar-mor (não aceito) para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1807 – Ouro Preto: Retábulos de São João e Nossa Senhora da Piedade para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1808 – Congonhas: Castiçais para o santuário de Bom Jesus de Matosinhos.
1808-9 – Ouro Preto: Retábulos de Santa Quitéria e Santa Luzia para a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
1810 – São João del-Rei: Risco da portada e cancelo para a Matriz.
1829 – Ouro Preto: Retábulos laterais para a Igreja de São Francisco, executados postumamente.

Check Also

Candido-Portinari

Biografia de Portinari – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Portinari, tudo sobre sua vida e a lista completa de ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *