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Biografia de Adoniran Barbosa – Vida e Obra

Confira a biografia completa de Adoniran Barbosa, tudo sobre a vida e obra e a lista completa de suas principais músicas, discografia, pensamentos e frases.

João Rubinato (nome de batismo de Adoniran) nasceu em Valinhos, no interior de São Paulo, no dia 6 de julho de 1912, sétimo filho de Francesco Rubinato e Emma Catman, imigrantes italianos. João começou a trabalhar cedo; com 10 anos de idade, sua certidão de nascimento foi falsificada para que pudesse começar a trabalhar com o pai (a idade mínima de trabalho era de 12 anos) – largou a escola e trabalhou com serviço de cargas, entregador de marmitas e varredor em uma fábrica por várias cidades de São Paulo, a medida que a família se mudava para tentar melhorar sua condição financeira.

Em 1924, os Rubinato se mudam para Santo André, onde João trabalhou como tecelão, pintor de parede, mascate, encanador, serralheiro, garçom, ajustador mecânico e vendedor. Já compunha, mas como os programas de rádio ainda estavam em seu começo no Brasil o jovem tentava o teatro, onde não tinha sorte. Só em 1933, no programa de Jorge Amaral, é que conseguiu chamar a atenção ao interpretar “Filosofia“, de Noel Rosa e André Filho.

Em 1935, João venceu o concurso de músicas carnavalescas em São Paulo, tendo sua primeira música gravada. Foi nesse ano que o compositor adotou o pseudônimo de Adoniran Barbosa – Adoniran veio em homenagem à um amigo e Barbosa veio do sambista Luiz Barbosa, ídolo de João. Foi também nessa época que se casou com Olga, com quem teve uma filha, Maria Helena. O casamento não durou muito, e em 1949 Adoniran se casaria de novo, com Matilde de Lutis, vivendo juntos por mais de 30 anos.

Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa

Adoniran Barbosa passou os próximos 5 anos atuando em rádios como cantor, animador e ator de rádio, criando vários personagens que mais tarde influenciariam sua variedade de vocábulos e expressões em suas composições. Em 1943, conheceu o Grupo do Luar, um grupo de jovens sambistas que, alguns anos mais tarde, mudaram seu nome para Demônios da Garoa. O Grupo era um dos mais requisitados das rádios, fazendo um enorme sucesso em todo o país. A parceria entre os Demônios da Garoa e Adoniran Barbosa consagraram ambos e trouxeram para o samba brasileiro clássicos como “Saudosa Maloca“, “Samba do Arnesto“ e “Trem das Onze“ (esse último rendendo ao grupo o 1º Disco de Ouro, além de várias honrarias e homenagens).

Em suas composições, Adoniran retratava seu cotidiano e o cotidiano do povo paulista, afetado pelas mudanças do progresso industrial na cidade. De fato, “Trem das Onze“ foi eleita a música que melhor representa São Paulo, e considerada pelos paulistanos como a música do século. “Saudosa Maloca“ foi transformada em programa de rádio em 1955 – o “História das Malocas“ –, onde Adoniran interpretou seu mais célebre personagem, Charutinho; o programa fez tanto sucesso que chegou a ser levado para a televisão. Na televisão também participou de novelas para a TV Tupi e programas humorísticos para a Record de São Paulo.

Com o tempo a voz de Adoniran começa a enfraquecer – parte por suas múltiplas vozes de ator, parte pelas bebidas e cigarros. Decidiu então se aposentar m 1972, aos 62 anos de idade, cantando em pequenos e médios shows esporádicos; mas, vendo que estes não faziam mais sucesso, preferiu encerrar sua carreira como cantor. A música brasileira passa por profundas mudanças, sobretudo influenciada pela música americana; passados o movimento da bossa-nova e da tropicália, o público se volta para o rock e o punk, e o samba perde cada vez mais espaço nas rádios. Sua última composição, “Tiro ao Álvaro“, foi gravada por Elis Regina e se tornou mais um clássico do samba.

Adoniran lutava contra um enfisema que avançava cada vez mais, tirando-lhe a boemia e as saídas à noite. Criou dentro de casa um pequeno parque de diversões com pedaços de lata e madeira – rodas-gigante, carrosséis, pequenos objetos de cunho popular. O cantor, compositor, ator, intérprete e locutor morreu no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade, deixando aproximadamente 90 composições inéditas. Em sua homenagem foram criados museus, bustos, escolas, nomes de rua e, no bairro do Jaçanã, há uma rua chamada Trem das Onze.

Frases de Adoniran Barbosa

É melhor viver um dia de cada vez, do que sonhar com um futuro que talvez possa não acontecer. – (Frases de Adoniran Barbosa)

Pra “escrevê” uma boa letra de samba a gente tem que “sê” em primeiro “lugá” “anarfabeto”. – (Frases de Adoniran Barbosa)

A tristeza é um bichinho que prá roer tá sozinho. E como rói a bandida. Parece rato em queijo parmesão. – (Frases Adoniran Barbosa)         

Discografia de Adoniran Barbosa

  • 1951 – “Os mimosos colibris/Saudade da maloca” (78 rpm)
  • 1952 – “Samba do Arnesto/Conselho de mulher” (78 rpm)
  • 1955 – “Saudosa maloca/Samba do Arnesto” (78 rpm)
  • 1958 – “Pra que chorar” (78 rpm)
  • 1958 – “Pafunça/Nois não os bleque tais” (78 rpm)
  • 1972 – “A Música Brasileira Deste Século -Adoniran Barbosa”
  • 1974 – “Adoniran Barbosa”
  • 1975 – “Adoniran Barbosa”
  • 1979 – “Seu Último Show” (Ao Vivo)
  • 1980 – “Adoniran Barbosa e Convidados”
  • 1984 – “Documento Inédito”
  • 2003 – “2 LPs em 1” (Re-lançamento dos LPs de 1974 e 1975)

Principais Músicas de Adoniran

Consideramos como principais músicas de Adoniran;

  • 1951 – Malvina
  • 1951 – Saudosa maloca
  • 1952 – Joga a chave
  • 1953 – Samba do Arnesto
  • 1955 – As mariposas
  • 1956 – Iracema
  • 1956 – Apaga o fogo Mané
  • 1958 – Bom-dia tristeza
  • 1959 – Abrigo de vagabundo
  • 1959 – No morro da Casa Verde
  • 1960 – Prova de carinho
  • 1960 – Tiro ao Álvaro
  • 1964 – Luz da light
  • 1964 – Trem das Onze
  • 1964 – Trem das Onze com Demônios da Garoa
  • 1965 – Agüenta a mão
  • 1965 – Samba italiano
  • 1965 – Tocar na banda
  • 1965 – Pafunça
  • 1967 – O casamento do Moacir
  • 1968 – Mulher, patrão e cachaça
  • 1968 – Vila Esperança
  • 1969 – Despejo na favela
  • 1972 – Acende o candeeiro
  • 1975 – Fica mais um pouco, amor

Curiosidades de Adoniran

  • Seu grande hobby era fazer miniaturas de madeira enquanto compunha.
  • Como Mané Mole, Adoniran Barbosa participou do longa “O cangaceiro”, que ganhou a Palma em Cannes em 1953, e foi exibido em mais de 80 países.
  • Adoniran era tão multifacetado que criou mais de 16 personagens em seus programas de rádio na Record.

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